Marca do livro Nova Engenharia com IA

Seção de abertura · p. 17

Introdução

Por Rafael de Faria Scheidt e Johnatan Ricardo Martins


Seção 01 · Leitura

Por muito tempo, acostumamo-nos a enxergar o desenvolvimento de software e tecnologia como um conjunto de ferramentas. As máquinas cuidavam das tarefas repetitivas, os seres humanos decidiam o que fazer, e a estratégia servia como um manual que dizia como tudo isso deveria funcionar em harmonia. Esse arranjo foi eficiente e confiável durante décadas — mas o cenário atual começa a mostrar que ele já não é suficiente.

A chegada dos Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) e, mais recentemente, da IA orientada por agentes, rompeu esse padrão de forma estrutural. Não estamos mais falando apenas de softwares que executam comandos, nem de assistentes que respondem perguntas. Estamos falando de sistemas capazes de interpretar intenção, planejar, tomar decisões, executar tarefas em múltiplas etapas, usar ferramentas externas, aprender com contexto e se adaptar em tempo real.

Em muitos cenários, esses sistemas deixam de se comportar como features e passam a atuar como unidades de trabalho digitais: executam rotinas, produzem artefatos, coordenam fluxo entre sistemas e, em certos casos, orquestram outros agentes para atingir objetivos maiores.

É justamente aqui que o debate muda de patamar: já não se trata apenas de “adotar IA”, mas de aprender a conceber e conduzir sistemas que atuam com algum grau de autonomia.

Isso cria um novo tipo de desafio: como administrar algo que é, simultaneamente, código executável e agente capaz de tomar decisões?

A lógica tradicional — que separa trabalho humano de automação, ferramenta de colaborador, operação de estratégia — deixou de ser suficiente. Um único agente pode substituir tarefas operacionais, ampliar a capacidade de especialistas com análises e execução assistida, e ainda coordenar um ecossistema de agentes e ferramentas com diferentes níveis de autonomia.

Se a fronteira entre “ferramenta” e “colega de trabalho digital” se tornou difusa, o papel do engenheiro também se transforma: há menos foco na execução manual e mais arquitetura, governança, integração, observabilidade e qualidade.

É nesta realidade que nasce este livro — dessa virada — e também de uma experiência prática. Depois de anos trabalhando em projetos críticos, liderando times e desenhando soluções em saúde, inteligência artificial e arquitetura de sistemas, chegou a hora de transformar aprendizados em algo estruturado, aplicável e acessível.

Aqui, você não encontrará apenas teoria. Você encontrará aplicação.

Para trilhar esse caminho com pragmatismo, tomamos como uma de nossas inspirações o material Principles of Building AI Agents e, ao longo dos exemplos desenvolvidos, testamos esses conceitos na prática usando um stack moderno, estruturado em torno de padrões voltados à construção de sistemas com IA.

Em especial, exploramos o Mastra — um framework em TypeScript voltado para aplicações e agentes — para conectar agentes, experimentar mecanismos de memória, exercitar orquestração e validar os conceitos com apoio do Mastra Studio. A intenção não é “depender de uma ferramenta”, mas demonstrar como esses padrões aparecem no mundo real e como podem ser aplicados em ambientes modernos de desenvolvimento, do protótipo à produção.

Ao longo do livro, vamos explorar, passo a passo:

  • Como orientar um modelo de linguagem de forma eficiente (prompting).
  • Como construir agentes com autonomia, memória e capacidade de decisão.
  • Como conectar agentes a dados e conhecimento com pipelines de RAG.
  • Como integrar ferramentas e sistemas usando padrões e protocolos (incluindo MCP).
  • Como organizar fluxos complexos com workflows baseados em grafos.
  • Como trabalhar com sistemas multiagentes e padrões de coordenação.
  • Como testar, validar e medir resultados com evals.
  • E, principalmente, como aplicar tudo isso diretamente na sua empresa, produto ou projeto.

Este não é um livro sobre hype. É um livro sobre arquitetura, engenharia e resultado real.

Se você é desenvolvedor, gestor, líder técnico, empreendedor ou estrategista, este livro foi escrito para ajudar você a dar o próximo passo: sair da teoria e começar a usar a inteligência artificial como uma força concreta de transformação — no seu negócio, na sua carreira e na forma como você projeta soluções.

O futuro não será liderado por quem apenas consome IA — mas por quem constrói, orquestra e integra agentes inteligentes com segurança, escala e governança dentro da realidade do mundo.

E é exatamente isso que você vai aprender aqui!


Seção Fim · Continue a leitura

Pronto para os capítulos técnicos? Explore o sumário completo, leia o prefácio de Moacir Marafon ou vá direto aos exemplos.